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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Cine Classic: Diário de Bordo 5: o encontro oficial.

Relembrando textos dos antigos blogs... 

Partimos do início, com os meus diários de bordos, que mostravam minhas descobertas e tudo que veio após tudo isto.

Divirtam-se:



Eu saí do bar com uma sensação hiper estranha. Havia comentado com ele, que estava ainda meio caído pelo meu ultimo namorado, e precisaria levar um tempo. Mas, as coisas eram diferentes agora. Aquele cara que eu estaria inicialmente (e futilmente) levar para cama, tinha realmente mexido comigo. E eu o amaldiçoei mentalmente, quando ele disse que teria que ir embora, e com isto aquele papo tão fluente estava acabando. Trocamos telefones, e fiquei na expectativa.

No dia seguinte, nos falamos no telefone. Ele ria muito, parecia nervoso, e nem imaginava o quanto eu também estava nervoso do outro lado. Marcamos para mais tarde. Eu que não era muito ligado em roupas, comecei a escolher o que melhor se encaixava. Sai de casa, e encontrei minha prima no portão, ela me disse que eu estava muito bonito. Aquilo me encheu de forças. Cheguei ao ponto de ônibus, e meu celular deu um toque, e vi um telefone estranho. Achei que era ele, mas era outra pessoa. Era um tipo de telemensagem com uma cantora (que eu odiava por sinal), que havia sido enviada pelo meu ex-namorado.

Fiquei naquela, parado no ponto olhando para o celular.Liguei para meu ex-namorado, ele disse que estava testando este novo serviço, e começou a puxar papo e perguntando se eu tinha algo para fazer mais tarde. Meu cérebro entrou em curto, pois há muito tempo esperava o reencontro, e ter uma nova oportunidade com ele. Quando olhei para frente, vi o ônibus se aproximando, e tomando as maiores forças e coragem do mundo, disse que já estava de saída. Ele se desculpou e mandou um beijo, e não tive coragem de corresponder e disse tchau. Aquele caminho até o bar, parecia longo demais, e meus pensamentos iam e voltavam, e olhava varias vezes para o celular.

Pensava em desmarcar e encontrar meu ex, mas fiquei naquela, sentido e lembrando da sensação boa que tive no primeiro contato com meu futuro encontro. Disse em voz baixa um foda-se e segui no ônibus. Cheguei lá, e logo depois ele chegou, pegamos uma mesa, desta vez eu não ficaria na solidão do balcão. O papo continuava bom, adoro a voz dele, o jeito de falar. Mas, insistia da gente tentar se conhecer, rolar uma amizade e depois namoro. E eu teimava dizendo que queria namorar e pronto. Passamos a noite inteira falando das experiências amorosas anteriores, de trabalhos, gostos de musicas, e é claro, a costumeira mania de tirar sarro de algumas figuras estrambólicas que apareciam por lá.

A sintonia era incrível e inimaginável. Pela primeira vez senti certo esquentamento na parte detrás da nuca, quando ele encostou-se a minha mão. As coisas deram certo aquele dia? Pode ter certeza, ainda mais que aquele dia esta durando quase seis anos.

Ainda lembro do primeiro beijo escondido na praia à noite. Do primeiro filme no cinema de mãos dadas. Do primeiro encontro com minha família. Das minhas revelações as minhas primas. De nossa primeira viagem. De nossa primeira ida a São Paulo. E da primeira vez, que numa praça de São Vicente, eu virei para ele e disse que o estava amando. E das tentativas frustradas de meus ex-namorados que tentaram um novo contato. Da primeira vez que entramos numa boate de mãos dadas. Do primeiro dia dos namorados. Do primeiro dia que entramos num motel, e estávamos muito nervosos com nossa primeira relação sexual. Das primeiras confidencias. Dos primeiros aniversários.

E com certeza, reviveria todas as decepções com meus antigos namorados, só para depois encontrar meu grande amor, e viver estas primeiras emoções. Que gostaria que fossem eternas, como as primeiras promessas.E que descobri que sofri de paixão pelos meus ex-namorados. Mas só dele, que senti amor.

Pois paixão é quente e passageira.

E amor é terno e eterno.

Eu te amo.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cine Classic: Diário de Bordo 4: um banquinho e um balcão

Relembrando textos dos antigos blogs... 

Partimos do início, com os meus diários de bordos, que mostravam minhas descobertas e tudo que veio após tudo isto.

Divirtam-se:


 Meu último serviço era meio escravo, o que me dava poucas oportunidades de férias. Então quando conseguia dez a quinze dias, era fantástico. Lá estava eu em pleno domingo, querendo usar meu penúltimo dia de férias, já que na terça-feira eu teria que voltar. Ainda triste pelos acontecimentos amorosos, convidei meu primo para irmos pegar uma mesinha no finado barzinho GLS Help.

Mas, encima da hora, meu primo me deu um cano. Fui eu lá, e peguei meu famoso banquinho em frente ao balcão, e curti minha assustadora solidão com meu copo de soda. No meio da noite, senti que estava sendo observado, o que não era novidade naquele ambiente. Fitei meus olhos na pessoa, e lá estava ele sentado numa mesa com mais dois amigos. Usava uma blusa listrada, magro e com um rosto marcante. Ao passar do tempo, conforme nossos olhares se cruzavam, ele meio que no nervosismo, tirava e colocava a blusa.

Eu tenho até um pouco de vergonha de dizer, que naquele momento, tive um grande impulso sexual por aquela pessoa.A noite estava terminando, e via outras pessoas que estavam junto dele me olhando também, como se tivessem me observando para dar nota... opinião... ou sei lá o que. Até que ele foi para fora, e não o tive mais no campo de visão. Do nada ele reapareceu, e veio em minha direção. Como um bobo eu fiquei meio tremulo e segurei a respiração, mas para minha decepção, apesar do estar olhando para minha direção, o filha da mãe passou direto e foi perguntar algo no caixa. E foi ele embora, para minha amarga solidão.

Fui meio chateado para casa, achando que não sabia realmente ler os tais sinais da paquera. Na sexta-feira seguinte, estava eu lá de novo, vi duas pessoas e achei que uma delas era ele, mas ao olhar atentamente vi que não era, infelizmente. No sábado, marquei presença e ao chegar já o vi sentado com os amigos. Dei uma olhadinha e segui para meu banquinho. Continuávamos a cruzar olhares, e realmente não estava errado sobre os sinais. Do nada, ele sentou do outro lado do balcão, pediu um refrigerante (o que já ganhou pontos, por que não era algo alcoólico) e continuávamos aos nossos olhares incessantes. Até que ele puxou para cima o banquinho e me ofereceu para sentar.

Na hora fiquei naquela, já muitos ali me ofereceram lugares e conversas e eu não dei bola. E aos que dei este espaço, me arrependi muito. Mas ele olhava para mim, com aquele sorriso em formato de boca de gato. E por impulso, me levantei e sentei ao seu lado. Muito simpático e falador, me fez senti a vontade. Acabamos contando muito sobre nós, e no meio da conversa até troquei seu nome por causa do apelido que seu colega o chamava.

E ele olhou para mim e se levantou, disse que ia ao banheiro, mas deixaria a jaqueta branca dele encima do banquinho, pois era cara e eu não teria coragem de fugir e deixá-la ali. Eu sorri, e o vi afastar.Voltando do banheiro, trocamos e-mails (era a primeira vez que dava meu e-mail pessoal para alguém, e não o secundário) e telefones. O papo fluía perfeitamente, até que ele interrompeu e disse que precisava ir embora. E eu querendo ficar mais um pouquinho com ele. E ele falou que nos falariamos.

Ass.: Ray

domingo, 3 de agosto de 2014

Cine Classic: Diário de Bordo 3: perdido no espaço GLS

Relembrando textos dos antigos blogs... 

Partimos do início, com os meus diários de bordos, que mostravam minhas descobertas e tudo que veio após tudo isto.

Divirtam-se:


Bem, tinha meus 26 anos, e quase nenhuma experiência com o mundo GLS no litoral santista. Só tive três experiências, uma vez fui ao Equilíbrio, antigo bar lésbico no alto da Ilha Porchat (para falar a verdade, não sei se continua a funcionar). Fiquei grande parte do lado de fora junto com meu pretenso namorado. Na segunda vez, este mesmo me levou para conhecer a The Club, que na época tinha outro nome.

O lugar parecia casa mal assombrada, tinha no máximo uns 15 gatos pingados espalhados. Então, ainda não tinha experimentado o “fervo” que tanto diziam sobre as boates cheias. A terceira, foi com meu terceiro pretenso namorado. Ele me levou num barzinho no fim da Conselheiro Nébias, chamado Help. Local aconchegante, estava ainda no inicio, Gostei muito do clima. Após o fim deste namoro, tomei a coragem e fui freqüentar sozinho este bar. Ele havia ficado mais conhecido e enchia quase todos os fins de semana. Mas, eu ficava sentado a beira do balcão, bebendo minha soda (dificilmente bebo álcool), e virava alvo dos olhares e comentários das outras pessoas no bar.

O mundo GLS tem dessas, se você é carne nova no pedaço (mesmo não sendo o mais belo dos belos), você vira uma porção de açúcar no meio do formigueiro. Todos querem saber de você, lhe chegam perto e fazem perguntas sem sentido. Como eu ficava só olhando, um deles chegou até a dizer que eu era um repórter cobrindo a noite gay e quis dizer o nome dele para eu não esquecer de colocar na matéria. Houve momentos estranhos, como um casal de gays que chegaram e ficaram sentados próximos de mim. Um deles não parava de olhar para mim, até na hora de um deles ir ao banheiro, e o que me observava chegar a mim e dar um papel anotado e dizer: “me liga no horário comercial”.

Fiquei sem entender, até conversar com meu ex-namorado, e ele dizer que conhecia o cara, que era sustentado pelo o outro. E que só podia ligar no horário comercial, por que era a hora que o marido dele trabalhava. Não sei se achei engraçado ou até um mesmo triste, por causa do outro cara, pois eu não deveria ser o primeiro a receber propostas do tipo. Outro dia, vi um belo homem, já beirando os 40. Bem arrumado e muito bonito. Ele foi se chegando, fingindo que só ia conversar com o amigo dele que estava sentado ao meu lado. Até que ao me fitar os olhos, veio enfim conversar comigo.

O problema que o papo não me agradou muito, pois ele estava a mais tempo no mundo GLS, era bem fervido e no dia seguinte iria à Parada Gay. Aquilo para quem estava entrando ainda pela porta dos fundos no mundinho gay, era assustador. Podia até ser um pouco de preconceito meu, mas era tudo novo demais, tive medo.Tive momentos engraçados e constrangedores. Chamei meu primo para conhecer o barzinho, me empolguei e entrei na caipiroska, que estava carregadíssima de Vokda.

O que para alguém que não tem costume de beber, é um perigo. A bebida me deu uma coragem de super-herói, o que me fez encarar o cara na mesa vizinha. O flerte foi tão grande que ele me chamou para conversar na mesa dele e trocamos até beijos. No final, para constrangimento de todos, ele estava indo embora, quando o puxei pelo pescoço e o beijei. O que a bebida não faz, né?Em breve conto mais experiências que tive no barzinho, que direcionaram para a grande transformação na minha vida.

Ass.: Ray

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Cine Classic: Diário de bordo 2: desventuras em série

Relembrando textos dos antigos blogs... 

Partimos do início, com os meus diários de bordos, que mostravam minhas descobertas e tudo que veio após tudo isto.

Divirtam-se:


Sim, deixei de procurar só sexo, resolvi procurar o amor. Mas como? Eu não freqüentava locais GLS e até tinha um preconceito meio bobo sobre tais lugares, além do medo de se expor. É claro, lá vou eu procurar na internet. Mas, como comprovei, romances que começam na internet tem no máximo 10 % em dar certo. Conheci muita gente, mas se no mundo real as pessoas criam máscaras, personagens e tudo mais, imagina no virtual. Conheci príncipes encantados, machões convictos e românticos inveterados.

Que na realidade eram canalhas, afeminados ao maximo e grande curtidores de... sexo.Não criem uma imagem má de mim, não sou contra afeminados, só não curto mesmo. Pelo menos nenhum deles passou no meu caminho e me deu afinidade. Pois, nunca podemos dizer nunca. E sim, curto sexo e muito sexo. Mas nada que não possa ser trocada por uma noite de carinhos e abraços com o torso nu. Você deixa bem claro com as pessoas, que procura namoro.

Mas as perguntas do outro lado sempre são sobre tamanho do pênis, se moro sozinho ou quais minhas preferências: ativo ou passivo?? Sei lá, a internet não só emburreceu o português de certas pessoas, como trouxeram para fora de tímidos, o pior tipo de tarado sexual. Sei lá, não custa nada às pessoas manterem certos limites, e deixa de enxergar a outra pessoa no bate-papo apenas como um objeto. Pois assim como tem muita gente procurando apenas sexo, tem também muitas que estão sozinhas, e que ao encontrarem certos tipos de pessoas acabam ainda mais cercadas com a solidão.

Da internet me surgiram três relacionamentos de curto prazo. Um cara que se dizia querer terminar seus dias ao lado de uma pessoa, mas no fim acabou vendo que a vida monogâmica é sem graça. Um segundo cara que ficou o tempo inteiro preso a um passado com uma outra pessoa. E o terceiro que era uma pessoa maravilhosa, mas os dois sabiam que seria como mergulhar óleo em água. Pois as pessoas no mundo gay, não querendo generalizar, mas em grande parte dizem querer ter um grande amor, viver a vida ao lado dele, mas ao ouvir o primeiro som da boate, ou a cara nova que surgiu no mundinho GLS, que esquecem totalmente esta vida.

A internet meio que estragou parte da minha vida, pois nela acabei desacreditando um pouco do sentimento humano, e me achando uma alienígena no meio do mundo GLS. Pois até os caras coroas não queriam um relacionamento, só estavam afim de um cara mais novo para transar.Então, por mais irredutível que eu parecia, acabei tendo que acessar o mundo real GLS, saindo de trás da tela do PC. E botando a cara a tapa. Por mais difícil que fosse.

Continuo em breve,

Ass.: R

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Cine Classic: Diário de bordo: o pequeno menino homo

Relembrando textos dos antigos blogs... 

Partimos do início, com os meus diários de bordos, que mostravam minhas descobertas e tudo que veio após tudo isto.

Divirtam-se:



Resolvi abrir esta nova seção para desabafar. Falar um pouco da minha sexualidade, sobre minhas escolhas e quem sabe, isto não sirva de exemplo para os “news gay” que estão surgindo por aí. Ou para abrir um debate na mente de vocês.Quando criança, sempre adotei uma postura hetero (ou tentava em grande parte), brincava na rua, fingia namoros como meninas, mas no intimo a curiosidade crescia. Crescendo um pouco começou o famoso troca-troca com amigos, mas nada demais, coisa de moleque, a mão naquilo, aquilo na mão, sobe em cima, brinca com aquilo e afins.Mas, na minha mente a atração pelo mesmo sexo existia, mas por criação, por ter certa fixação pela bíblia quando mais jovem, eu meio que ignorava ou deixava as coisas só na imaginação, ou só nos famosos troca-troca sem penetração.

A gente vai crescendo, e acaba caindo de cabeça no relacionamento hetero. Tenta de tudo, sofre, força a barra, mas as coisas realmente não andam. Fiz uma besteira de continuar um namoro hetero que foi péssimo para ambos os lados, tanto que hoje a pessoa não olha mais para minha cara. E as poucas ligações homossexuais eram terríveis, o que levou até ao fim de uma amizade, pois a pessoa acabou gostando de mim.Por incrível que pareça, fiquei um longo tempo nisto, só beirando os 25 anos que resolvi encarar a homossexualidade como vida, assim como um primo meu, fui seduzido pela internet.

Não freqüentava locais GLS, mas tentava sanar a atração homo com encontros casuais pela internet, até que o vazio me tomou.Com a doença de alguém próximo, acabei enxergando a vida de outro ângulo. E parei de olhar a homossexualidade como algo extremamente ruim. Pois a vida pode ser curta, e certos pesos têm que se tirar das costas, para torná-la (a vida) no mínimo suportável. E resolvi deixar de enxergar o sexo, e passei procurar o amor, por mais que este caminho seria um pouco estranho para mim.

Em breve, continuo.


Ass.: R